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Necrofilia da Arte

“Se o Lennon morreu, eu amo ele.
Se o Marley se foi, eu me flagelo.
Elvis não morreu, mas não vivo sem ele
Kurt Cobain se foi e eu o venero” – Pato Fu – A Necrofilia da Arte (Gilberto Gil)

Eu tava com esse texto na cabeça duas semanas atrás. Comecei a formar ele enquanto eu ia resolver um problema na Anatel. A May andava pedindo que eu fizesse um material pra Offline sobre celebridades instantâneas de internet e, pra variar, eu fiquei divagando na rua sobre outra coisa.

Pensei sobre a necrofilia da arte que vinha acontecendo em torno da morte do Michael Jackson. Ele conseguiu bater alguns recordes mais algumas vezes, mesmo que postumamente. Pessoas que nunca tiveram algum trabalho seu, resolveram adquirir qualquer álbum, como uma homenagem tardia. Mas é justamente isso que acho engraçado, como as pessoas valorizam os artistas quando morrem. Talvez se ele não tivesse falecido agora e tivesse em decadência que já estava por mais vinte anos, ele teria alcançado esses novos números?

É freqüente o número de adolescentes que começam a venerar artistas mortos, por serem admirados pela maioria das pessoas. Parece mais uma auto-afirmação do que realmente uma necessidade de consumo artístico. Soou meio brega, né? Mas assim, a impressão que passa é que todo mundo quer parecer legal, que entende pacas de música, arte, cinema, livros e o caralho a quatro. Muita gente já leu Nieztche porque vai dar uma vantagem de assuntos sobre os amigos. Errado. Vai te dar uma vantagem apenas sobre o que ele escreveu. E isso não quer dizer que as obras de Nieztche sejam grande coisa. Péra lá! São grandes coisas sim, mas eu digo que não é grande coisa pra se debater numa roda de bar. Parece mais um escudo, qual a pessoa caminha peitando todos que estão à sua frente e por isso acha que pode dizer: Olha, eu sei falar sobre coisas inteligentes. Bullshit. A frase “Menos é mais” encaixa com facilidade nesse caso. Já vi muitas pessoas que são muito mais interessantes do que aqueles que precisam provar que tem algum conhecimento. E elas falam sobre qualquer coisa, desde como preparar pipoca, até como fazem auto-avaliação. Lembro até hoje, que um dos melhores textos que eu já li, foi sobre a preparação de pastéis.

Mas por que existe essa necessidade de gostar de Lennon, Elvis, Kurt Cobain, Elis Regina, Vinicius de Moraes, etc? Sim, os trabalhos de todos são excelentíssimos. Mas por que eles viram cavalo de tróia de todas essas pessoas inseguras? Como se não houvessem outros artistas nas mesmas época que desempenhavam os mesmos tipos de apresentações ou seguiam os mesmos passos. Quando não existe a possibilidade de decadência, a imagem da pessoa se torna mais forte. Os Beatles começaram a ter seu momento “estragado” quando John encontrou Yoko, ao menos alguns fãs ferrenhos apostam sua vida nisso. De que ela fez o fim definitivo da banda e as composições não eram mais as mesmas. No álbum In Utero, do Nirvana, Kurt não parecia mais o mesmo de Nevermind e Incesticide. Parecia um ser apagado, desanimado, tanto que a única música que tinha pegada parecida com Smell Like Teen Spirit foi Heart Shaped Box. Elvis é um dos poucos casos que todos viram o quanto ele já estava destruído e deprimido. Tinha ganhado muitos quilos, era viciado em remédios para dormir e não tinha mais a mesma disposição para shows, mesmo com 42 anos.

Mas os fãs são cegos pra todos esses defeitos que surgem, por sinal, até discutem qual seria melhor fase. Antes ou depois do início da decadência, se era melhor a época que faziam músicas mais felizes, ou quando começa a bater a depressão e as composições são 90% do tempo tristes. Se as músicas do lado B são tão melhores que as de divulgação do disco. Os fãs se preocupam com isso. Traçar paralelos que não terão fim, porque não existirá a resposta do próprio artista pra por um ponto final nisso. E cada vez mais pessoa se esconde atrás do seu ídolo falecido.

Existem fãs com a mesma devoção que os necrofilios da arte. São aqueles que acompanham com entusiasmo seus ídolos. Vão aonde puder para assistir um show, compram item de colecionador, tatuam o símbolo e por aí vai.

Particularmente acho meio bobo quem se esconde atrás de ídolos falecidos e acham que só existem eles. Gosto muito de Elvis, Beatles, Nirvana, Jimi Hendrix e muitos outros que saíram dessa pra melhor, mas só numa parte da minha vida eu tive uma postura parecida com essa. Foi quando descobri o fim do movimento grunge. Quando comecei a escutar música mesmo, consegui pegar o fim das bandas de Seattle e eram as que mais faziam escola na época. Mas enfim, a impressão que me passa é que quem faz isso, ainda não conseguiu estabelecer um caráter bem formado pra discutir esse tipo de assunto. Que falta conhecimento de caso pra ir mais a fundo.

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Discussion

2 comments for “Necrofilia da Arte”

  1. Apenas corrigindo, o correto é Nietzsche. E não estou querendo provar que tenho algum conhecimento hein!
    Abraço.

    Posted by Débora | August 15, 2009, 10:27 pm
  2. morreu? ta feito
    quando vivo
    eu era esquecido
    ou quase isso
    morreu? ta feito

    hey baby venha me louvar
    parti faz algum tempo
    hey baby venha me amar
    sou a lenda do vento

    Posted by luis carlos o. barbosa | August 27, 2009, 2:23 am

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Oi ;D