Resolvi fazer um Top #5 das coisas que aconteceram em Porto Alegre e acabaram tomando conhecimento nacional. Mas não digo em coisas comerciais, foco mais nas coisas que eram completamente sem nenhum compromisso e com o tempo foram sendo divulgadas entre amigos. Aquele boca-a-boca clássico, de que quando algo é bom, ele vai sendo disseminado com facilidade. Consegui reunir esses cinco elementos, todos de Porto Alegre. Eles pensavam em algo local, mas agiram globalmente.

"Quando eu vi, entrando o seu nick, meu coraçãozinho, parece parar..."
#5 – Os Nerds:
Bandinha feita de brincadeira, com amigos que se encontravam durante os shows da Julio Igrejas e faziam paródias de músicas. Coisa normal de qualquer pessoa. De querer brincar com a melodia músicas conhecidas e mudar as letras. Assim surgiu Os Nerds. Lembro de quando explodiu a música “Logs de Amor”. Também guardo na memória quando eu estava na casa de uma amiga em SP e no meio de um papo surgiu o assunto “Os Nerds” e falaram: – Oh, eles são lá da tua terra, né? Cê conhece eles?”. Claro que falar que conhecia era o mesmo que dizer que não, pois não iam acreditar. Mas eram os passos gaúchos na internet. O som deles ainda dá pra ouvir na net, eles estão no Trama Virtual.
#4 – Página do Rafinha:
Se você acha que esses videozinhos de paródia de youtube engraçado, é porque não conhecia Weird Al Yankovic, Os Trapalhões e a Página do Rafinha. Descobri aleatoriamente a página do cara. Acho que foi procurando montagens de photoshop. Na época era a coisa mais clássica que tinha na internet (2000/2001). Pra pegar um vídeo de cinco minutos, eram pelo menos duas horas de download. Então era só quando valia a pena mesmo. E foi o que aconteceu. Entrei na página do cara, vi umas chamadas pra uns vídeos dele interpretando Mamma Mia do ABBA e depois passei pra todos os amigos. Aquela coisa que tinha tempos atrás, de levar HD na casa do amigo e passar jogos um pro outro. Descobri depois de e-mails trocados com o dono do site, que ele era meu vizinho, aqui no Menino Deus – PoA, mas nunca encontrei com o cara. Atualmente ele é visto com freqüência no CQC, é o Rafinha Bastos. O site dele continua na ativa. Só clicar aqui.

It'z meeee, Tcheco!
#3 – Tcheco:
E eu não falo do jogador do Grêmio. Falo da lenda do menino sucesso, ou garoto aventura, como era descrito no seu próprio show. Criação de Marcelo Barbosa, o desenho era transmitido pelo canal comunitário em 1999! Cada episódio de Tcheco para assistir no computador, demorava cerca de uma hora para baixar, e tinha duração de 10 minutos. Depois de um tempo, Tcheco ganhou mais espaço na internet, chegando a ter seu próprio site, o http://www.tcheco.com (ainda ativo – mas com nada do Tcheco), com várias histórias do garoto aventura acompanhado de Gonçalves, Ratão, Pepito e amigos. Vale lembrar que Ratão descobriu que Bill Gates é na verdade o Demônio e que o venceu numa luta limpa. Atualmente, Tcheco encontra-se indisponível na internet, só podemos acompanhar as novas criações de Marcelo no Youtube, qual atividade ele faz muito bem. E uma curiosidade, quem anima a versão latina de Bruno Aleixo é o próprio MacBee!
#2 – COL – Ou CardosOnline
O maior coletivo literário online que já existiu no sul do Brasil, e ouso em dizer que talvez do Brasil inteiro. COL era um fanzine feito por amigos com um único intuito, divulgar suas idéias. Ótimo, e qual fanzine não é assim? Bom, todos esses fanzines vão pra tua caixa de e-mail, semanalmente, sem spam, sem divulgar teu endereço abertamente, com bons textos, e com escritores que mais tarde seriam reconhecidos nacionalmente? E digo mais, a idéia de blog nem era pensada no Brasil. Site era só pra quem tinha grana, ou então conseguia fazer algo muito nas coxas naqueles geocities, e mesmo assim, era algo feio de ver. Porque a idéia dos sites era que fossem estáticos, que não mudassem com freqüência, fora os sites de notícias. Ah, bom. Você começa a clarear sua mente agora. Sabe que eu falo do Cardoso. Sim, o verdadeiro Cardoso. Não esse que tem um site contraditório. Eu falo do André “Cardoso” Czarnobai. Multihomen, Raggaman, Rastafari Yo Brotha Whity Viking. Ia saber que pelo menos uns seis anos depois eu trabalharia com ele na revista Void. Também a Clarah Averbuck. Aquela que teve um filme – Nome Próprio – sobre suas criações e criaturas. Também tinha o Daniel Galera, que teve seu livro transformado em película também – O Cão Sem Dono. Fora um grupo absurdo de bons escritores. Tudo bem, você não conhece porque deve não ter feito parte da lista de e-mails deles. Tem como reaver esse tempo perdido, indo aqui.
#1 – Fresno – Tá é aqui que você fala, agora fud*u, agora arriou, a vaca foi pro brejo, o papagaio subiu no telhado, a cobra mordeu a velha, o pneu furou… (ACENDE O FAROL! ACENDE O FAROL! ACENDE O FAROL! – já dizia o síndico)
Sim, Fresno. Talvez tudo aquilo que você não acredita, não quer aceitar, não ouve e nem sequer imagina, que esses meninos são o maior produto lançado pro resto do Brasil, interneticamente falando. Vamos voltar alguns anos, e com fatos não tão bem esclarecidos, mas histórias que eu ouvi de alguns dos integrantes e um ex-integrante. A banda era formada por cinco rapazes de colégio. Colégio Dohms pra ser mais exato. O Leandro “Nego” se atrasou pra um dos ensaios, não quis mais participar da banda e ai Lucas “Paraíba” assumiu o vocal. Nascia ali uma formação que duraria pelo menos oito anos da banda. Lucas, Vavo, Lelo e Cuper, faziam músicas simples, mas na mesma batida dos sertanejos, dor de cotovelo. Tem coisa mais comum que dor de cotovelo? Todo mundo já teve uma. Se eu escrever uma letra sobre um dia de sol numa praia e que pegava uma onda perfeita, poucos vão se identificar. Mas sofrer por amor, ou ser pelo menos incompreendido, é fato que todos já tiveram esse momento. E foi ai que começaram a trabalhar, unindo algo que na época ainda era desconhecido, a distribuição por internet. Você podia conhecer Charlie Brown Jr., Raimundos e Rajja & Cabong, mas dificilmente já tinha ouvido falar em Polara, Againe e Noção de Nada. Por quê? Simples, por mais que tivessem gravadoras, ou selos pequenos, a distribuição ainda era regional. Atingia São Paulo e Rio de Janeiro no máximo. Quando alguém voltava de viagem que trazia um CD que comprava no outro estado, ou quando eles vinham na loucura pra cá. Fresno começou a usar fotolog e mirc pra distribuir as músicas. Mandavam pra qualquer pessoa que podiam. Os amigos passavam pra amigos, que passavam pra amigos, que passavam e quando vê, já viu. Eram os quatro rapazes tocando lá em Salvador. Depois Vitória, e por fim Curitiba. Claro que essa fase que falo já é mais avançada do momento em que distribuíam as mp3 via Mirc. Agora eu não sei como andam, como estão, ou como deixam de estar. Perdi contato com eles, desde que foram pra SP e também não me interessa falar sobre eles, além do que eu tinha pensado em escrever nesse post. Sobre achar Fresno na internet? Sério mesmo? Você quer que eu ponha um link aqui? Nem preciso. Pra eles é só jogar no google (o google é seu amigo e ele SEMPRE vai te ajudar. E se não tiver no google, não se desespere. Existe, mas ainda não foi muito procurado).
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[...] escrevi semana passada o Top #5 sobre ações de porto-alegrenses que chamaram a atenção na internet, inicialmente eu queria escrever sobre comida. Tá, eu sou um pseudo-gordo que gosta muito de comer [...]