
É curioso pensar hoje em dia que apenas uma revista de aventura como a Holy Avenger, produzida aqui no Brasil, durou 3 anos e ela foi sucesso entre os leitores. Todo material já feito por outras editoras não passava da quarta edição. Eram “edições pilotos” que se tivessem um bom retorno, eles apostavam mais tempo, porém nem saia do piloto. Ficava na vontade. Eramos tão voltados à ideia de formato americano, que quando surgiu a HA, surpreendeu quem não estava acostumado com o estilo mangá.
Surgida em 1998 como um suplemento de RPG, feita em três edições, Holy Avenger conquistou o coração de muitos jogadores brasileiros. Os integrantes que não eram os centrais da trama de HA, tinham aparições mensais na Dragão Brasil. O Paladino era alter-ego de Marcelo “Capitão Ninja” Cassaro, os outros personagens, eu não tenho ideia, mas sempre via o “assustador” Mestre Arsenal, o bardo Luigi Sortudo, o guerreiro Katabrok, a elfa-do-mar Lenora e afins. Junto com Cassaro, provavelmente é de se imaginar que J.M. Trevisan, Rogério Saladino e amigos, recheavam todo o background de Arton. Eu acredito que boa parte da história realmente aconteceu, em partidas saudáveis de RPG, e o resto foi só ligar os pontos.

É chover no molhado falar que atualmente ainda existe um projeto de HA virar o primeiro anime brasileiro. Falo isso porque todo mundo já escreveu sobre esse assunto. Não sei a que pé anda esse projeto, mas como eu torço pelo melhor, espero boas notícias.
E depois vieram os filhos de HA: Victory e Dungeons Crawler. Victory teve uma passagem modesta no Brasil, foi pros EUA, e voltou re-modelada. A história conta como cinco pré-adolescentes libertam Victory, filha do Paladino, no nosso mundo, que está prestes a ser invadido por uma divindade maligna. O desenhista Eduardo Francisco muda completamente de estilo de uma versão pra outra. O traço parece bastante com o Joe Madureira.
Dungeons Crawler é assinada por Daniel HDR, gaúcho que desenhava Digimon para a Bandai. Em DC fica claro a ligação direta com HA, pois se passa em Arton e envolve a cidade de Lenórienn. Cidade que era habitada por elfos e foi invadida por hugbears e hobgoblins, pasando a se chamar Rarnaak.

Esse ano, fazem 10 anos que Holy Avenger surgiu e até agora não sabemos se surgirão novas produções envolvendo os personagens de Arton. A única coisa que pode-se desejar, é que se existirem novos trabalhos, que sejam bons.
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Holy Avenger realmente é uma grande série! Sou amante do mundo de Arton (já varei algumas noites jogando com amigos o RPG Tormenta!) e principalmente de HA! Como fã, desejo desesperadamente que HA realmente saia do papel e se torne o primeiro anime brasileiro. Mas acredito que vontade e dedicação da equipe de J. M. Trevisan, Marcelo Cassaro e cia não faltam, muito pelo contrário. Mas acredito que o que falta na verdade é incentivo por parte de empresas de investir no projeto, o que é uma pena, pois muito provavelmente, muitos não conseguem enxergar o grande potencial deste projeto. A mesma coisa ocorreu quando Adolfo Aizen quis fazer sociedade com Roberto Marinho para a publicação do Suplemento Infantil no jornal O Globo, em 1934 (com histórias de Flash Gordon, Tarzan, Príncipe Valente, Mandrake, Pato Donald e Mickey, entre outros) e recebeu uma sonoro “não” acompanhado de uma resposta irônica (“Oras, isso são apenas histórias para crianças”). Acredito que enquanto não tiver alguem que rompa essa barreira e mude esta mentalidade, continuaremos por muito tempo com excelentes projetos na gaveta, mas que por falta de incentivo, continuarão guardados lá…
Abraços!